Gatos

Comportamento

"O menor dos pequenos felinos é em si mesmo uma verdadeira obra-prima” (Leonardo da Vinci)

Introdução

O gato, este Príncipe do lar, tão próximo e tão distante, tão familiar e tão misterioso, sempre fascinou o homem por seu aspecto e comportamento. Habitante do deserto e das savanas durante muito tempo traz ainda em si, em sua fisiologia, suas necessidades biológicas e seu temperamento, feito de uma delicada mistura de indolência e de espírito de aventura, os traços dessa remota linhagem. Todavia, desde o deserto do outrora até nossos campos e cidades de hoje, eis que o universo felino mudou rapidamente.

Em 30 anos, o número de raças felinas, nascidas de mestiçagens desejadas e controladas pelo homem, acaba, por assim dizer, de triplicar, passando de cerca de 20, em 1960, a mais de cinquenta até no final do século passado. Além disso, conhecimentos científicos espetaculares foram adquiridos recentemente.

Responsável pela domesticação do gato, o homem deve em primeiro lugar respeitá-lo em sua animalidade, alimentá-lo e garantir-lhe saúde e bem-estar, de acordo com suas necessidades específicas, e não a partir de suas próprias projeções humanas.

O gato não é um pequeno cão. Caçador impenitente, o gato conservou, devido a esta prática, suas características originais de puro animal carnívoro. Esta autenticidade explica a atração que exerce sobre muitos de nós este companheiro excepcional e condiciona o respeito cuidadoso de suas especificidades que cada dono deve conhecer.

Mesmo se permaneceu muito tempo distante, a coabitação homem-gato remonta há bastante tempo. As qualidades de caçador deste pequeno felino fizeram dele o protetor natural dos celeiros e das cozinhas. Isso lhe valeu uma verdadeira veneração no Egito antigo. No entanto, sua independência, muitas vezes confundida com a falta de respeito e as práticas pagãs às quais foi associado na Idade Média, ofuscaram durante muito tempo sua imagem. Foi somente por intermédio dos salões literários do século XIX e do mundo dos artistas que o gato voltou à moda. Entretanto, esta volta se deu muitas vezes à custa da castração dos machos, prática considerada o meio mais rápido para conquistar as elites e adquirir certo grau de perfeição.

Diferenças entre o homem e o gato
  
Quanto ao aspecto alimentar o homem muda de alimentação a cada refeição se qualquer problema, mas se o eu aparelho digestivo fosse semelhante ao do gato, esta permanente variação alimentar provocar-lhes-ia uma diarreia constante. O homem tem necessidade de cozedura, de sal, de açúcar, de aromas, do aspecto do alimento que lhe é apresentado no prato para poder apreciar sua refeição, mas se as sensações fossem idênticas às do gato bastar-lhes-ia as emanações libertadas para apreciá-la plenamente. O homem consome suas refeições de acordo com uma frequência habitual (de manhã, ao meio dia, e à noite), mas o gato supre suas necessidades alimentares através de uma multiplicidade de refeições noturnas e diurnas (até 16 por dia). De forma geral,  o aparelho digestório do homem apresenta 11% do seu peso corporal contra apenas 2,8% a 3,5% no caso do gato. O que explica a maior facilidade do homem digerir elementos mais variados.
Na apreciação do alimento, o olfato e o paladar não desempenham as mesmas funções. O gato, ao contrário do homem, aprecia o alimento, sobretudo através do olfato já que possui cerca de três vezes mais captadores olfativos que os humanos. O paladar, ao contrário, intervém muito pouco na seleção alimentar do gato, pois o gato dispõe de uma quantidade 19 vezes menor de papilas gustativas em relação ao homem. Logo, o felino abocanha o alimento e não o conserva muito tempo na boca, passa-o rapidamente para o estômago. Além disso, o gato tem dificuldade de detectar o sabor doce e é carnívoro estrito, incapaz de sintetizar a taurina (aminoácido essencial), que obtém da carne que caça ou dos croquetes que são dados.

A performance digestiva é uma herança genética. Originalmente, o gato é um “petiscador”.  Se o alimento for deixado à sua disposição fará entre 10 e 16 pequenas refeições, cada uma com duração de dois a três minutos. Estas pequenas quantidades de pequenas espaçadas ao longo do dia explicam a razão do trânsito digestivo do gato se processar de forma tão rápida, entre 12 e 24 horas. Quanto à ingestão de água, tem lugar também cerca de 10 vezes por dia.

Compreender tais informações implica conhecer o gato e respeitá-lo na sua diferença biológica e fisiológica em relação ao homem. O antropormofismo, por vezes exagerado, é negativo e pode levar à redução da esperança de vida do animal.

Pré-história do gato

O animal que conhecemos hoje desenvolveu-se durante uma evolução de pelo menos 40 milhões de anos. Vários fósseis permitem reconstituir a origem dos felídeos selvagens, dentre eles o gato. Os felídeos selvagens formam uma família muito homogênea. Fêmeas e machos são smelhantes, sendo os machos apenas maiores e mais pesados; somente o leão representa uma exceção: sua crina. Carnívoros por excelência e os mais adaptados de todos os animais à captura de presas vivas. Cosmopolitas, estão ausentes apenas na Antártida, na Austrália, em Madagascar, nas Antilhas em algumas outras ilhas. A família dos Felídeos comporta três sub-famílias: os Nimravinés, atualmente desaparecidos, os Acinonychinés, compreendendo os tigres e os Félinés com dois grupos de espécies: os grandes felinos (gênero Panthera) e os pequenos felinos  (gênero Felis), de onde provém o gato.

Assim que os dinossauros desapareceram, no final da era secundária, surgiram os primeiros Mamíderos. Na verdade, são os insetívoros, sobreviventes, que no Cretáceo superior, há 70 milhões de anos, estariam na origem dos Carnívoros e dos Primatas. No Paleoceno, a fauna dos Mamíferos compreende a ordem dos Creodontes. São animais de pequeno tamanho - não mais de 30 centímetros - de formas pesadas, de patas curtas, semi-plantígrados, mas já possuindo garras e que anunciam os Carnívoros. Os primeiros carnivoros conhecidos dessa época são anatomicamente totalmente diferentes dos Carnívoros atuais. Eles desapareceram no Eoceno para serem substituídos por Carnívoros fissípides, com dentes molares fortes e mais desenvolvidos do que os do Creodontes.

Fissípides

Assistiu-se a um desenvolvimento notável dos caninos e dos dentes molares principalmente nos Eucreodontes - estes derivam dos procreodontes do Paleoceno - que são na realidade as estirpes dos Carnívoros atuais . Um dos primeiros batizados foi Miacis (Miacoidea), espécie de gato-se-algália arborícola da América e da Eurásia de patas e corpo mais longos que os do Creodontes.  Miacis deu origem a uma família, os Miacídeos, intermediários entre os Creodontes e os Fissípides, que são animais de tamanho pequeno, provavelmente silvícolas. Eles se extinguiram no Eoceno superior. Por outro lado, no final do Eoceno, os Miacídeos surgiram na Eurásia e na América, assim como seus descendentes, alguns dos representantes dos modernos Canídeos (cães e lobos), Mustelídeos (doninhoas, lontras), Ursídeos (ursos) e Procionídeos (quatis). Animais muito vizinhos do Miacídeos estariam na origem dos Viverrídeos (furões, mangustos) e, mais tarde, dos Felídeos e dos Hienídeos. Eles certamente representam a estirpe mais provável dos Fissípedes, os remotos ancestrais dos felinos.

Felídeos primitivos

Em seguida, no Oligoceno, esboçou-se nitidamente nos Felídeos uma tendência que culminou na individualização de duas raças diferentes de felinos. Por um lado animais grandes, robustos, mas lentos, providos de caninos enormesem forma de lâmina de sabre: os Eusmilus; e por outro lado grandes gatos mais ágeis e mais rápidos com uma dentição próxima dos atuais Felídeos: Proailurus, depois os Pseudailurus, cujo modo de andar lembra o dos Viverrídeos. O Pseudailurus seria o primeiro membro da família dos gatos modernos dos quais Smilodon, na América, é um representante espetacular. Os pequenos felinos adaptaram-se então a regiões tão diversas como os desertos, as florestas, as etepes e os pântanos. Depois veio a época do Mioceno em que, na França, vivia Felis zitteli, um animal muito próximo ao gato selvagem atual. Posteriormente, no período Pleistoceno da era quartenária, surgiu o gênero Felis, enquanto que os felinos primitivos, os Smilodons e os Machairodus, espécies de tigres-dentes-de-sabre, desaparecem.

Felideo do Oligoceno
fonte: http://www.reocities.com/arturoligoceno/oligomamicar.html
Felideo do Oligoceno
fonte: http://www.reocities.com/arturoligoceno/oligomamicar.html
Felideo do Oligoceno
fonte: http://www.reocities.com/arturoligoceno/oligomamicar.html

Os primeiros gatos selvagens
Os gatos selvagens atuais surgiram no Quaternário. Datando provavelmente do início do Plistoceno (1,8 milões de anos) o gato selvagem de Martelli (Felis lunensis) pode ser considerado como um dos ancestrais diretos dos nossos gatos atuais. Este felino teria originado o Gato selvagem (Felis silvestris), que apreceu no final do segundo período glacial. Ele espalhou-se rapidamente por toda a Europa, Ásia e África, evoluindo para três tipos principais: o Gato-do-Mato europeu ou Gato-do-Mato (Felis silvetris silvestris), o Gato selvagem da Líbia ou Gato Kaffir (Felis silvestris lybica) e o gato do deserto asiático ou Gato enfeitado (Felis silvestris ornata). Segundo alguns, a separação nítida entre Gatos selvagens da Europa e da África ocorreu há cerca de 20.000 anos.

Do gato selvagem ao gato doméstico



Referências

CANIN, ROYAL. A Enciclopédia do Gato. Paris: Aniwa SAS, 2007. vol.1, pp. 04, 05, 10-12, 20-33. 

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IDADE DOS FELINOS

fonte: Merial


 

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